NEVER FORGET,
NEVER FORGIVE.
Segunda-feira, dia histórico! Depois de muitas e muitas tentativas, finalmente conseguimos marcar de comprar os ingressos do show do Dream Theater, no Via Parque. Enfim, depois de muito tempo, conseguimos sair juntos um dia nessas férias. Não que esse tenha sido o único dia, mas não conseguimos marcar tanto quanto esperávamos. Quanto deveríamos, provavelmente.
E esse nosso encontro não poderia se resumir a uma simples passagem na bilheteria do Citibank - que com certeza estaria vazia. Não poderia se resumir a uma simples facada de 60 reais, por mais valiosa que ela fosse, para depois seguirmos com as nossas vidas desesperadas de fim de férias. Tinha que ter algo a mais. Algo mais, digamos, emocionante. E por que não dizer, sim, por que não, algo mais demoníaco?
Sim, “demoníaco” é a palavra certa. Para combinar com o preço do ingresso do show, talvez. Para nos dar inspiração para a volta às aulas, com certeza. Definitivamente, o que presenciamos naquela gloriosa tarde de segunda-feira iria resolver todos os nossos problemas na faculdade! Pois sim, por que não dizer, algumas pessoas por lá merecem um tratamento um tanto quanto, digamos, especial. A barba mais rente de suas vidas, sim. Sem a menor sombra de dúvida!
Depois de comprarmos o nosso sagrado ingresso para o show, decidimos ir ao cinema. Mas claro, não para ver um filme qualquer. Aquela tarde fatídica e aparentemente normal de segunda-feira merecia algo melhor. E por isso decidimos ver - por quase imposição minha (de quem mais se não eu?) - Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet.
Ao decidirmos isso, toda a realidade escureceu. Os rostos à nossa volta agora se encontravam pálidos, sem vida. Os cantos das cotovias e bem-te-vis transformaram-se em súplicas, os mais verdadeiros sons do desespero. As luzes do shopping ganharam um tom avermelhado, iluminando as manchas vermelhas nas paredes - manchas eternas, solitárias, que esperaram a eternidade para serem vislumbradas. O mundo perdeu suas cores. Restavam apenas o mais sombrio tom negro, a mais pálida cor branca e o Vermelho. O mais sangrento de todos os vermelhos antes vistos.
Ignorando todos os sinais - zombando de todas as profecias - nos dirigimos à bilheteria. Os sons de súplica à nossa volta agora mudaram. Notas de agonia, acordes vindos do mais profundo abismo preenchiam os salões vazios do que um dia foi chamado Via Parque. E que depois desse dia, não para nós, nunca mais seria chamado dessa forma. Via Infernis. Agora lá encontramos o Via Infernis.
A distância entre nós e a bilheteria ia ficando cada vez menor, enquanto seguíamos o nosso rumo naquela direção. Cada passo durava uma eternidade. Vidas inteiras surgiam e desapareciam entre um passo e o seguinte. Mas a Providência não tardaria a vir. Estávamos tão próximos de cometer o mais profano pecado quando nossa presença foi notada pela implacável bilheteira. E a Providência nos deu o golpe de mestre. Quando o nosso maldito dinheiro foi sacado, quando a nossa decrépita carteira de estudante foi retirada de nossos volumosos e vazios bolsos, a bilheteira, com um tenebroso gesto, estendeu a mão ao alto e pegou uma placa - obviamente - Vermelha. Colocou-a na frente da bilheteria, no pequeno espaço que nos separava de nossos ingressos. E na placa estava escrito, em imensas incômodas letras, a palavra: FECHADO.
O ódio mais elementar de todos emergiu de nossos corpos. De nossa mente. Como ousaram interferir no nosso caminho? Como ousaram nos separar daquilo que seria a essência de toda a nossa vida? Indignados, resolvemos recuar. Viajamos por incontáveis anos, amaldiçoados pela bilheteira - pela Providência em si. Mas nossa viagem tinha apenas um objetivo: esperar. Voltaríamos no momento ideal, naquele em que nada, realmente nada, pudesse nos atrapalhar. Em que nada pudesse nos separar daquilo que nascemos para fazer. Do nosso destino.
Depois de 3 eternas voltas no Via Infernis, fomos vislumbrados com a Hora Certa, a ideal para seguir em frente.
A placa não tinha nenhuma serventia naquele momento. Era agora um mero objeto, fútil, jogado nos fundos da bilheteria. Apenas os nossos olhos conseguiam vê-la - ali, já bastante empoeirada, já bastante inutilizável. As súplicas cantorias voltaram. As trombetas anunciaram. O órgão clássico - aquele que veio dos mais fúnebres filmes de terror - também resolveu se manifestar. As mais sombrias e tristes melodias nos acompanharam até a bilheteria. O som da morte, do fim. Enfim, chegou o momento mais importante de nossas vidas. Em nossas mãos, os meios para a destruição: dinheiro e carteira de estudante. A bilheteira, sem escolha, olhou desesperadamente para o computador, suplicou em seu íntimo com todo o seu coração que aquele filme não estivesse em cartaz lá. Mas estava. Com os olhos lacrimejando sangue, com o rosto esbanjando sinais de decomposição e com a palidez daqueles que voltaram de suas moradias eternas, ela nos entregou o bilhete.
E então nós vimos o filme. Não, aquilo não foi um filme. No lugar de um filme, foi-nos mostrada a mais verdadeira obra de arte que o mundo conheceu. Nós vimos Sweeney Todd. E ele teve a sua vingança.
Felipe Fantuzzi,
Que viu o filme 3 vezes e está esperando ansiosamente pelo convite para vê-lo uma quarta vez.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Sweeney Todd
Contra-postado por Felipe Fantuzzi
Contra-marcadores: Contra-Resenhas, Contra-Teorias de Fantuzzi
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4 contra-comentários:
O melhor foi que na terceira tentativa de comprar os ingressos pro cinema, a vendedora da bilheteria ainda teve que ouvir a pergunta: "Fantuzzi, como é o nome do filme mesmo?"
AUHUHAUHAUHAUHAUHAUHAUUHAUHA
E aí toda a determinação daqueles loucos perdeu o sentido, mais do que nunca.
O cinema tava congelando, e tinha no máximo mais dez pessoas lá.
O chocolate derreteu no meu bolso enquanto voltava de 755 para casa, após esperar o lendário ônibus do Fantuzzi.
Aliás, ainda teve a ida no 701 ouvindo Dio e segurando cadernos ^o)
Ainda acho que faltou um Heavy Metal na trilha sonora xD
O mais incrível foi a sensação de colorido do mundo ao sair do cinema e se deparar com a luz do Sol.
O ingresso do Dream Theater está seguro colado na minha parede, e tá chegando!!!!!!
Jonhy Depp é foda.
Petrucci também.
=]
...
But there's no place like London!
Só pra manter a tradição...
Campanha Johny Depp na Ruthless Cry!
\o/
Como eu disse pro Carlos e pra Susana: eu enrolei o post inteiro pra falar apenas q a mulher da bilheteria fechou a bilheteria soh pq viu q a gente chegou perto!!
Jah sei enrolar!! Jah posso virar escritor!!! Falta soh aprender a escrever!! hauhauuahhua
Vou aderia à Campanha Johny Depp na Ruthless Cry!
heheheheheheheehe
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